A Ciência como Antídoto à Fragmentação Humana
Revista SESEST, nº 5 | Ano 2 Jan – Mar – 2026
Chegamos à nossa quinta edição, comemorando dois anos de existência da Revista SESEST. Este aniversário, contudo, ocorre em um momento em que a humanidade parece caminhar sobre uma linha tênue entre o avanço tecnológico sem precedentes e um retrocesso civilizatório alarmante. Enquanto comemoramos nossa trajetória, não podemos ignorar o quadro geopolítico global marcado por profundas disputas ideológicas e o renascimento de antagonismos que acreditávamos estar em vias de superação.
Assistimos, hoje, a uma perigosa polarização entre visões de mundo que, em sua busca pela hegemonia, muitas vezes ignoram o Estado de Bem-Estar Social em prol dos tribalismos modernos. O ressurgimento de conflitos duradouros na cor, no gênero e em regionalismos excludentes nos faz questionar: o que, efetivamente, o mundo melhorou quando os iguais se separaram por ignorar suas semelhanças?
A resposta que o SESEST propõe é fundamentada na ciência e na educação. A separação por identidade, quando usada como ferramenta de isolamento e não de reconhecimento, prejudica a nossa capacidade de resposta aos desafios que são comuns a todos nós. As crises climáticas não consultam ideologias antes de agir; a escassez de recursos não distingue fronteiras; e a ignorância não poupa nenhuma classe social.
Reafirmamos, nesta edição histórica, o nosso compromisso com a inovação tecnológica e a sustentabilidade, mas sob uma nova luz: a da integração. Entendemos que a tecnologia só cumpre seu papel para um vetor de patrimônio. Defendemos uma educação que, em vez de segregar, revela as pontes invisíveis que nos conectam como espécie. Na Amazônia, onde nossa revista tem raízes fincas, essa lição é diária: a biodiversidade só prospera pela simbiose, nunca pelo isolamento.
Ao celebrarmos este segundo ano, convidamos nossos autores e leitores a uma reflexão profunda sobre o papel do intelectual e do pesquisador. Não basta produzir dados; é preciso produzir sentido. É preciso reafirmar que o progresso da humanidade depende da nossa capacidade de enxergar no “outro” um reflexo de nossas próprias urgências.
Que esta edição seja um convite ao diálogo multidisciplinar e um manifesto contra a ignorância com que nos afastamos. Afinal, a ciência é, por definição, o esforço humano de encontrar leis universais em um universo de diferenças aparentes.
Desejamos a todos uma leitura transformadora.
Dionel Da Costa Junior. Editor-Chefe – Revista SESEST